Prefácio
Há algo diferente em Taubaté que só quem é taubateano sabe.
Tudo bem, você não precisa necessariamente ter nascido aqui, mas basta ter um contato mais próximo ou o coração pulsando com amor por essas bandas para perceber que há um sentimento divergente, uma sensação de pertencimento mais forte, uma vontade quase incontrolável de falar da nossa cidade, nossos personagens e nossas histórias. Estou errado?
Não me parece ser à toa que existam, ao longo da quase quadridimensional história do município, figuras que pareçam estar em todos os cantos. Ora, não faltam exemplos de filhos ilustres que tenham sido isso e aquilo, que eram vistos aqui ou acolá, ou que trabalhavam em um lugar e ainda tinham tempo para contribuir, de algum outro jeito, para o desenvolvimento de Taubaté.
Minha memória não é das melhores, mas, mesmo que fosse, teria pouquíssima referência própria de Evandro Campos. Afinal, quando de seu falecimento, em agosto de 1994, eu ainda estava apenas próximo de completar um ano de vida.
Contudo, de alguma forma, me parece que seria totalmente injusto eu escrever aqui que não o conheci. Meu sentimento é de que tivemos uma vida toda para bater papo sobre várias de suas paixões.
Explico. Evandro se fez presente em tantos cantos da nossa cidade que, mesmo hoje, 30 anos depois de sua partida, é difícil passar alheio, mesmo que lhe seja inconsciente. Claro, você pode até não saber quem foi, mas eu te garanto que alguma coisa que impacta no seu dia a dia teve um pedacinho da história dele. Alguma notícia que você ouve no rádio, alguma lei do município criada ou fiscalizada pela Câmara, algum jogo que você assista no Joaquinzão ou até simplesmente quando você olha para a estátua do Cristo Redentor (a nossa, é claro). Quase tudo tem um pouquinho de Evandro Campos, e isso não é coincidência. Com essa leitura sobre parte da vida e obra do Admirável Homem das Letras, você vai entender sobre o que estou falando.
Se Evandro era especialista em contar histórias, as próximas páginas nos presenteiam com uma das grandes. Aliás, uma não: várias delas, dentre suas mais distintas e competentes facetas e características. Mais que um livro, o conteúdo a seguir é uma verdadeira coletânea de diversos e preciosos enredos, de sinopses diferentes entre si, mas com um mesmo protagonista.
Marido, pai, avô, bisavô, trisavô, jornalista, cronista, político, esportista, democrata, idealista, poeta, vanguardista, entusiasta… Escolha seu personagem favorito e certamente alguma história com essa temática você vai encontrar. Eu prometo. E é ainda mais especial saber que todo esse compilado conteúdo somente está entre nós pelo trabalho árduo de pesquisa da obstinada e determinada Thelma, a quem tenho o prazer de chamar de tia. E que Evandro chamava de neta, tenho certeza que também com todo o orgulho do mundo.
Não sei o que ele acharia do mundo digitalizado de hoje, dos rumos que o jornalismo regional tomou após a quase extinção dos nossos jornais impressos, ou das sofridas últimas temporadas do nosso amado Burro da Central entrando em campo. Mas, posso garantir, todos só teríamos a ganhar com suas soluções, propósitos e planos: nossa cidade, nossa profissão, nosso time e o que mais ele quisesse participar, porque, como eu já fiz questão de expor e que vocês mesmos terão o prazer de perceber durante a obra que se aproxima, Evandro se propôs a fazer praticamente de tudo um pouco. E conseguiu, ao longo da vida, sempre com muita maestria.
Boa leitura,
Caique Toledo de Camargo Campos
Jornalista, assim
como o bisavô Evandro.
